Queridas irmãs e jovens em formação,
Cristo ressuscitou. Ressuscitou verdadeiramente. Aleluia, aleluia!
Que a ressurreição de Cristo leve graça e paz a cada uma de vocês e seja a esperança que sustenta e renova a existência.
Com a morte e ressurreição de Cristo, a História da Salvação de Deus foi levada à plenitude. Demos graças ao Senhor, que nos convidou a participar do Mistério Pascal, e deixemos que a luz da Ressurreição penetre em nosso coração, para “sabermos ver a certeza da Páscoa em cada provação da vida”.
No Evangelho de Mateus, o Cristo ressuscitado vai ao encontro de duas mulheres, Maria Madalena e a outra Maria: enche seus corações de uma alegria nova e transbordante, capaz de dissipar todo o medo, incerteza e desorientação. Nesse encontro, as duas são chamadas a passar do temor à confiança, do silêncio ao anúncio, tornando-se assim as primeiras testemunhas da ressurreição. O encontro com Cristo ressuscitado nunca nos deixa passivas, mas nos faz capazes de uma nova missão, fundada na esperança.
É significativo que Ele confie precisamente a elas essa tarefa: mulheres que, no contexto cultural da época, não gozavam de pleno reconhecimento de sua dignidade e às quais não era concedido o direito de testemunhar. Assim se manifesta a lógica paradoxal de Deus: como sua sabedoria e força se revelaram na fraqueza da cruz, também o anúncio da ressurreição é confiado àqueles que o mundo considera pequenos e insignificantes.
“Não tenhais medo; ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam à Galileia: lá me verão” (Mt 28,10).
A Galileia, lugar da vida cotidiana e do início do seguimento, torna-se assim o sinal de um novo começo, onde cada discípulo é chamado a reencontrar o Ressuscitado e a renovar a própria fé. Nesse horizonte, também a missão das duas mulheres se torna paradigma da missão da Igreja: sair, anunciar e conduzir os outros ao encontro com o Senhor vivo.
O Mistério Pascal de Cristo se enraíza em sua relação filial com o Pai: uma confiança total e uma adesão plena ao seu desígnio de salvação. Jesus vive sua identidade de Filho amado na doação total de si, até a morte na cruz, sem nada reter. Precisamente nessa doação, se revela também a verdade da nossa identidade: somos filhos e filhas do Pai, criados à sua imagem e chamados a participar de sua vida.
Quo Vadis, Humanitas? afirma que o ser humano é: “um ser dotado de potencialidades inscritas em sua natureza inteligente e espiritual e também de fragilidades, sujeito à morte e à doença… A experiência religiosa, e em particular a fé cristã, propõe-nos habitar essa ambivalência entre grandeza e limite humano, lendo-a à luz da relação originária e fundante com Deus… Precisamos da consciência de sermos necessitados de salvação: Cristo nos salva hoje!
No entanto, grande parte da humanidade parece viver sem plena consciência da própria identidade e da direção de seu caminho. Corre como um grande rio, muitas vezes sem se interrogar sobre o sentido último da vida, sem um autêntico desejo de salvação ou de vida eterna. Essa situação torna ainda mais atual e urgente a pergunta formulada com profunda solicitude pelo Bem-aventurado Tiago Alberione: “Para onde caminha, como caminha, em direção a qual meta caminha esta humanidade, que continuamente se renova sobre a face da terra?”.
Essa pergunta interpela profundamente também a nós, chamadas a acompanhar cada pessoa a redescobrir, no encontro vivo com Cristo Caminho, Verdade e Vida, a própria identidade autêntica: a de sermos filhos e filhas amados de Deus. Uma identidade que encontra sua plena realização na comunhão com Deus que se doa por amor.
Nessa missão, sentimos renovar-se o compromisso de sermos presença próxima, discreta e fiel ao lado de cada ser humano em seu caminho. Comprometemo-nos a escutar profundamente as perguntas, as expectativas e os medos que habitam o coração humano, para acompanhá-los rumo a uma esperança renovada em Cristo.
Seguindo o exemplo do apóstolo Paulo, desejamos tornar-nos companheiras de viagem, capazes de sustentar com paciência e amor também os percursos mais complexos e marcados pela dor, na confiança de que cada vida pode ser transformada pelo Mistério Pascal, até que Cristo seja formado neles (cf. Gl 4,19).
Maria, que “acolheu sua vida como vocação e assim realizou a própria identidade pessoal no cumprimento da missão que lhe foi confiada, para que se realizasse o desígnio de amor de Deus Trindade para toda a humanidade”, é para nós mãe e mestra no caminho apostólico. A ela confiamos nossa fé e nossa missão, para que nos torne instrumentos dóceis da graça de Deus e testemunhas alegres da Ressurreição.
Rezemos, por fim, pela paz no mundo: que o Senhor console aqueles que sofrem por causa da guerra, devolva a esperança e conduza todos a uma paz autêntica, fundada no perdão e na reconciliação.
Com afeto e gratidão, juntamente com as irmãs do governo geral, desejo a vocês uma luminosa Páscoa da Ressurreição. Este voto se estenda aos vossos familiares, aos colaboradores e cooperadores, aos amigos e benfeitores.
Com grande afeto, em comunhão de alegria e esperança,
Irmã Mari Lucia Kim
e Irmãs do governo geral

