Mensagem Final 2020

37° ENCONTRO DOS GOVERNOS GERAIS DA FAMÍLIA PAULINA

facebooktwittergoogle_plusredditpinterestlinkedinmail

XXXVII ENCONTRO DOS GOVERNOS GERAIS DA FAMÍLIA PAULINA

OS LEIGOS NA FAMÍLIA PAULINA PARA A MISSÃO
OS COOPERADORES PAULINOS

 

Caros irmãos e irmãs da Família Paulina

Na conclusão do tradicional encontro dos Governos Gerais, desejamos partilhar com vocês as luzes que recebemos nos dias vividos em clima de alegria e de fraternidade, levando a sério o crescimento do espírito de Família. Sentimos que, em maneiras diferentes, todos vocês estiveram aqui conosco, em particular, sentimos a “presença” preciosa dos Cooperadores Paulinos que estiveram no centro de nossa reflexão. A Celebração do Centenário de fundação, 2017/2018, fez com que toda a Família Paulina experimentasse a grande vitalidade que vem dos leigos que reconhecem e abraçam na própria vida o carisma comunicado pelo Bem-aventurado Tiago Alberione, e nos fez compreender a urgência de revisitar esta vocação que enriquece em modo único a nossa diversificada Família.

Nos trabalhos fomos sapientemente guiados pela comissão intercongregacional de Família Paulina, que agradecemos pela preparação desses dias e pela capacidade de envolver ativamente todos os participantes.

Pe. Valdir José De Castro, Superior Geral da Sociedade São Paulo, nos propôs uma provocação do Papa Francisco que, em uma carta ao Cardeal Marc Ouellet sobre o tema do empenho dos leigos na vida pública, escreveu: «“é a hora dos leigos”, mas parece que o relógio está parado”. Deixamo-nos seriamente interpelar pela verdade dessa afirmação na nossa realidade de Família e, em clima de avaliação, de abertura e de projeção, reconhecemos o chamado a uma “conversão”, que exige passos concretos em direção à valorização do laicato na nossa Família, na Igreja e no mundo de hoje, em sintonia com o pensamento de nosso comum Fundador.

A reflexão desses dias dá continuidade ao percurso iniciado em 1988 e que, por três anos, viu nossos Governos Gerais reunidos para enfrentar a temática dos leigos na nossa Família: Ir. Maria Paola Mancini, pddm, que viveu pessoalmente esses encontros nos recordou com paixão. Fizemos memória também da história carismática dos Cooperadores Paulinos, através da contribuição de pe. Giancarlo Rocca, ssp.

No percurso fomos às raízes bíblicas, encontrando o Apóstolo Paulo e seus colaboradores, introduzidos por pe. Romano Penna, um dos maiores conhecedores de São Paulo na Itália: «…na atividade apostólica, Paulo nunca caminhou sozinho! […] Dada à variedade e à riqueza da contribuição dos companheiros de Paulo na sua missão, é obvio que esses desenvolveram função importante nas atividades, e também as cartas paulinas não foram um empreendimento totalmente individual.

Na realidade, esses missionários merecem grande apreço, e não se tira nada à grandeza do Apóstolo quando se põe em maior evidência aqueles com os quais ele exerceu o ministério, aqueles que ele gostava de elogiar e chamar seus colaboradores.

É sempre Paulo a propor a visão de uma eclesiologia de comunhão, que valoriza o comum chamado à santidade, perfeitamente assonante com aquela que nos propõe não somente o Vaticano II, mas também o papa Francisco: «Em virtude do Batismo, todo membro do Povo de Deus torna-se discípulo missionário (cfr Mt 28,19). Todo batizado, qualquer seja sua função na Igreja e o grau de conhecimento de sua fé, é sujeito ativo de evangelização, e seria inadequado pensar em um esquema de evangelização, levado adiante por atores qualificados nos quais o resto do povo fiel fosse somente receptivo de suas ações. A nova evangelização deve implicar novo protagonismo de cada um dos batizados (EG 120).

Preciosos foram os companheiros de viagem que nos contaram algumas experiências de como hoje alguns leigos partilham o carisma de uma Família religiosa: Nunzia Boccia, da Família de Murialdo, Donatella Acerbi, da Família Palotina e Antônio Boccia, Cooperadores Salesianos. E a presença dos Delegados dos Cooperadores Paulinos de diversas nações: pe. Guido Colombo, ssp, e Ir. Pina Riccieri, fsp, da Itália; Ir. Virginie Kiz-Kasong, pddm, do Congo; Ir. Maria de los Angeles Sejio, sjbp, da Argentina e a contribuição de Ir. Ninfa Becker, fsp do Brasil. Foi enriquecedor e ao mesmo tempo questionador escutar não somente as experiências, mas também as expectativas e as sugestões dos grupos de Cooperadores para poder viver em modo sempre mais pleno e maduro a pertença à nossa “admirável Família”.

Outro aliado nesse percurso foi o Direito Canônico que, através da ajuda de pe. Primo Etzi, ofm, nos forneceu um mapa claro da direção a seguir: valorizar a partilha do carisma – reconhecido como centro unificador da Família Paulina – que pede para parar e redefinir a modalidade de relações entre os diversos ramos que a compõem e, em particular, repensar a relação entre os Institutos Religiosos e a Associação laical, os Cooperadores.

Tudo nos leva a reconhecer a urgência de uma passagem significativa: uma clarificação da identidade dos Cooperadores Paulinos, em nível carismático, institucional e organizativo, em vista também da elaboração do Estatuto, que tenha presente o caminho percorrido até agora na Igreja e na nossa Família. Para alcançar esse objetivo será necessário iniciar um processo, que desejamos viver em estilo sinodal.

Somos conscientes de que se trata, sobretudo, de adquirir uma mentalidade que nos leve todos – religiosos e leigos – a pensar, rezar, formar-nos e desenvolver a missão juntos, um ao lado do outro, colocando no centro o nosso comum carisma e valorizando – não anulando – a especificidade de cada uma das realidades e, portanto, das diversas vocações. Portanto, valorizar aquilo que já está silenciosamente crescendo e que espera ser reconhecido.

Certo, há um caminho para percorrer mas, como diz o poeta espanhol Antônio Machado: «Viajante, não há caminho; o caminho se faz caminhando». Ou, para dizer com o Papa Francisco, se trata de «[…] iniciar processos, mais do que ocupar espaços. Deus se manifesta no tempo e está presente nos processos da história. Isto faz-nos privilegiar as ações que geram dinâmicas novas. E requer paciência, espera».

Então, juntos com vocês, continuamos a dar um passo após outro, com o olhar que ousa ver longe!

Ariccia, 13 de janeiro de 2020

AS PARTICIPANTES E OS PARTICIPANTES
DO XXXVII ENCONTRO DOS GOVERNOS GERAIS
DA FAMÍLIA PAULINA


Allegati